Arranhando Palavras

Quando chega a hora

Posted by: brunacelia on: January 13, 2009

Quando chega a hora, o que você faz? Eu levanto da cama, calço meu par de Havaianas e grito. Choro. Penso. Falo.

Não gosto de dúvidas, demoras e esperas longas. É difícil assumir que a paciência é uma virtude. Eu não sou paciente. Sou desesperada pela pressa, sou fruto da sociedade que não pára nem um segundo. Cidades que dormem aos domingos me irritam. Gosto de restaurantes, lojas, locadoras, livrarias 24 horas (nunca vi uma livraria 24 horas). Quero tudo funcionando sempre, o tempo todo.

E eu não quero que os supermercados fechem. Eles têm quase sempre tudo. E quase sempre que preciso, estão fechando, ou fechados. Prefiro os 24 horas.

E por que não sossego? Por que eu não assumo que gosto de dormir, de ficar em casa pintando caixinhas de mdf, rabiscando, recortando? Eu gosto da folga, eu gosto do gosto doce das tardes vazias e tranquilas. Eu gosto de ler, gosto de não ter nada para fazer. A casa arrumada, a pia limpa, tudo no lugar certo, são ingredientes que me inspiram a ler. Porque se está tudo bagunçado, prefiro arrumar e só depois ler. Tadinha da leitura… não consigo colocá-la em primeiro lugar. Depois que tudo fica aparentemente no lugar é que leio. Será por quê? Acho que não gosto de ouvir “a casa está suja” ou “a pia está um lixo”. Prefiro arrumar antes de ouvir. E prefiro a casa limpa.

Mas e quando chega a hora? O que dizer? O que fazer?

Eu não grito, pois não estou sozinha em casa. Mas se pudesse me livrar de todas as amarras, gritaria. E dançaria no teto.

Mas a minha hora chegou. Preciso fazer dinheiro. Necessito colocar minhas engrenagens para funcionar. Quero unir o que gosto e o que sei, àquilo que pague o veterinário dos meus filhotes. Quero a redação turbulenta de uma redação de jornal. Quero uma redação de revista. Quero uma TV, um rádio. Quero um site. Quero fazer o melhor jornalismo possível. Quero agradar, informar, encantar. Quero que as pessoas leiam mais.

Mas o que fazer?

Ler, pintar, dançar, cortar, lavar, limpar, escrever, digitar, resmungar… não sei. Não sei ainda.

Sei que quero tempo para respirar e andar, nem que seja depressa. Quero um frasco com água limpa. Quero uma salada de frutas.

E por que a hora chega sempre que estamos despreparados? Ou será que nunca estamos preparados e por isso nos surpreendemos a cada segundo?

Não ficar parado. Não sentar se não for para ler. Não chorar assim, tão de repente.

Viver… respirar. E aceitar, mesmo que a contragosto, que o melhor está aqui.
Do meu lado.

2 Responses to "Quando chega a hora"

Amei o post!
você escreve MUITO bem! MUITO!

Adoro sua forma de desenrolar seu pensamento. Amo as palavras que você utiliza. Sempre no lugar certo!

Parabéns pela sua capacidade e tino para a escrita!

Te amo!

Muito bom texto; como vc fala e paciência, vou transcrever alguns versos do meu poema, publicado em Reflexões em verso, cujo título é”Aprendendo a viver”
“Nunca pedir um minuto de paciência
Porque ter paciência é disposição eterna
(…)
Paciência é enfim e eternamente
a única forma de se viver em paz!

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