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Eu e meu bloquinho

Maio 14, 2008

Eu gostaria que todas as pessoas interessadas em leitura e em escrever andassem pelas ruas com seus bloquinhos de anotação. Tudo bem que existem pessoas que gostam de ler, mas não gostam de escrever. Também existem os que não lêem e e não escrevem. Mas não importa, eu gostaria que todos gostassem de ler e de escrever. E que andassem com seus bloquinhos. Você, que agora lê esse blog, imagino que goste de ler. Já explico porque falo desse tema agora.

Hoje acordei cedo. A vontade era de ficar na cama. Pensei na aula que teria na faculdade e vi que seria de Ética e legislação. A professora é muito inteligente e sempre fala de assuntos que me interessam. Então decidi que não faltaria sua aula. Aliás, desde o início do semestre não faltei nenhuma de suas aulas.

Fui tomar uma duchada bem gostosa. Senti água caindo no meu corpo e a preguiça, que antes tomara minha mente e meus músculos, agora ia ao longe e nem mais lembrei que existira. Me arrumei com uma certa pressa, afinal o relógio já estava quase perto das oito quando resolvi deixar o colchão.

Cheguei na faculdade com um certo atraso e percebi que perdera boa parte da aula. Mas não me desanimei e, com meu bloco de anotações em mãos, comecei a anotar os pontos principais do que a professora expunha.

Falava da criação do Conselho Nacional de Comunicação aqui no Brasil. Datas, Constituição de 88, representantes. Até aí, nada de interessante, a não ser o fato de aqui no Brasil, a criação de um conselho estar atrelada ao governo. Como assim? Isso mesmo. Os conselhos visam obter o pluralismo na Comunicação Social, mas são sustentados pelo próprio Estado.

Fora esse paradoxo, gostei quando ela tocou no tão-pouco-falado-caso-Isabella. “Eu não quero saber se o pai da menina está dormindo em colchonete ou em papelão. Se está comendo pão com manteiga ou outra coisa. Esse assunto já deu o que tinha que dar. E o caso Ronaldo? Quem disse que é interessante saber se ele estava com travestis, ou se é gay ou algo desse tipo? Isso não é de interesse público. Eu quero que vocês me falem que jornal fez alguma matéria coma Nike, patrocinadora do Ronaldo. Isso sim é importante, afinal ele é um atleta, representa saúde, representa a marca. E aí? Quem sabe o que a Nike vai fazer em relação às acusações? Não! o que querem informar é se ele foi para tal motel, se pagou ou não os travestis. Ele faz o que quiser da vida sexual dele. Até onde vai a vida privada de um homem?”.

A Lúcia sempre diz coisas que me agradam. Cada vez mais fico com raiva das coberturas que são feitas pelas tevês e jornais. E ela está certa! E a ética desses jornais?

Saí da aula feliz por ter ido e escutado coisas legais. Vale a pena ver que existem professores interessados em promover debates, em instigar pensamentos. Eles nos fazem PENSAR!!! Eles nos mostram o caminho do ser ÉTICO!!!

Entrei no BASA, ônibus gratuito que sai da universidade até o terminal de ônibus. Desci na Praça dos Girassóis e fui correndo para o Salão do Livro. Eu e meu bloquinho de anotações.

Munida da programação geral do evento, procurei algo legal para fazer. Muitas coisas legais acontecendo no mesmo momento e o período da manhã é mais voltado para o público infantil e jovem. Mas eu e meu bloquinho fomos assim mesmo.

Fiquei pouco tempo lá. Obrigações em casa, os filhos com fome. Tive que ir. Deixei milhares de livros e atrações. Mas hoje à noite eu volto.

Eu e meu bloquinho.

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Fecharam nossa boca!

Maio 7, 2008

Essa semana rendeu muitos comentários e exigiu reflexões…

Um dia, assim daqueles que não se espera nenhum e-mail novo, estava eu vagando pelas ondas da Internet.

Na caixa de entrada uma mensagem do Rayllei Bandeira, um amigo da faculdade (agora nem nos vemos muito, mas gosto mesmo assim).

Resolvi reproduzir a mensagem para tornar público e promover o debate.

Liberdade de expressão?!

É revoltante! Vivemos num país onde as idéias contrárias à “default” não têm vez, nem voz.
Calaram várias bocas neste último final de semana.

Concordar ou não, isso não interessa. O que interessa é a liberdade de expressão, de discussão.

Veja estes vídeos:

Homem é preso durante marcha em prol da maconha

CQC Rede Bandeirante Marcha da Maconha 2008 RJ/SP

Debate MTV Marcha da Maconha 2008

E veja este comentário:

ORLANDO ZACCONE
Delegado de polícia civil do Rio de Janeiro
Mestre em Ciências Penais pela Universidade Cândido Mendes
Doutorando em Ciências Políticas pela Universidade Federal Fluminense

“O quadro é desolador. De um lado a “guerra” contra as drogas matando mais do que as próprias drogas (grifo meu) e estabelecendo-se como uma política criminal irracional e genocída; do outro, cidadãos divididos entre a garantia do direito fundamental da livre expressão do pensamento e a autoritária instalação de um “estado de exceção permanente” em nosso país, na expressão do filósofo italiano Giorgio Agamben, referindo-se ao atual fenômeno da suspensão ininterrupta de direitos constitucionalmente estabelecidos nos assim chamados estados democráticos de direito. É neste contexto que se situam as recentes decisões judiciais de proibição das marchas em favor da legalização da maconha em diversos estados brasileiros e no distrito federal.” Leia mais »

Atenciosamente,
Rayllei Bandeira

Essa foi a primeira mensagem que ele me enviou. Li, captei o conteúdo, mas não respondi (apenas comentei com o meu namorado “nossa, lembra da notícia que vimos na Tv, sacanagem”).

Hoje outro e-mail, dessa vez mais surpreendente:


Depois que eu fiz uma pequena manifestação na Praça dos Girassóis no dia da posse do governador, tive a certeza de que a liberdade de expressão é muito frágil neste país. Fui sozinho com um cartaz do tipo homem-sanduíche escrito: “Apossaram-se dos frontispícios?” Frontispícios eram aquelas duas bolas que ficavam em cima do Palácio. Resultado: fui ameaçado várias vezes por um “chefão” que não se identificava e dois seguranças ficaram grudados em mim por onde eu fosse. Eles criaram uma linha imaginária, de onde eu não poderia passar. Todo e qualquer cristão (que irônico…) poderia ir mais a frente do auditório, mas eu deveria ficar isolado no fundo. Falei com os policiais que faziam uma fila, parados: “Esses rapazes estão cerceando meu direito constitucional de ir e vir e minha liberdade de expressão”, não falaram nada, me ignoraram. Tentei passar a força e ganhei belos empurrões. Então, mais tarde, um dos puxa-sacos com uma camiseta do tipo “Marcelo, amamos você” simplesmente rasgou meu cartaz e foi embora, impune. Nunca me senti tão desprotegido pela lei. Que lei é essa?! O cara me agride na frente de um batalhão de policiais e nada acontece a ele?! Se eu fizesse o mesmo seria preso, com certeza.

Tente falar o que pensa e verás que essa porcaria de lei é só fachada.

Revoltado,
Rayllei Bandeira

Dessa vez não me contive e respondi:
Rayllei,

quando vi na TV a marcha em prol da maconha pensei a mesma coisa que você. E a liberdade de expressão daquelas pessoas? Não é questão de concordar ou não com o tipo de movimentação, é questão de poder se expressar. Agora eu vejo a necessidade de se pensar nas conseqüências de qualquer ato… afinal, a liberdade individual, a liberdade de expressão existe até o ponto que não infrinja a liberdade social. É bom frisar que a nossa sociedade abomina as drogas e vi garotos fazendo apologia ao uso de maconha. Uma coisa leva a outra. Mas a polícia erra! Já parou para analisar quem são os policiais? Eles não recebem uma formação adequada. A única coisa que têm na cabeça é a prepotência que o poder lhes dá. É muito complicado,…. cada ação dessa exige uma imensa reflexão, que poucos são capazes de fazer (infelizmente!).
Quanto ao seu caso, bem vindo ao Toca!
Ou melhor, bem vindo ao mundo!!!
Eu não teria coragem de fazer o que fez, afinal, sou tímida e lerda… muito apolítica e nem um pouco “democrática”. Infelizmente, vivo trancada em meu individualismo (afinal, somos seres democráticos? duvido!).
Mas gostei da sua atitude… sempre gosto de pessoas que saem do casulo e gritam, lutam por seus direitos garantidos por lei.
Mas te digo uma coisa… duvido que seria diferente se você tivesse ido em qualquer outro Estado do país. Não é porque é o Toca (apesar do coronelismo ser forte aqui), é porque é o mundo do HOMEM. Não se pode ir contra o Governo!

Só isso.

Mas para finalizar essa reposta imensa, parabenizo sua atitude de sair do casulo. Afinal, seremos jornalistas…. e onde estará nossa função social se não abrirmos a boca?????????????????

Bruna Célia.

P.s. quero sua autorização para publicar nosso diálogo no meu blog. Inté!

Alguns minutos depois, recebo a resposta:
A maioria esmagadora dos manifestantes lutam pela legalização da maconha, assim como já acontece na Holanda. Não se fala em legalizar drogas mais pesadas, pelo menos por enquanto. Além disso não há cartazes dizendo: “Use maconha que faz bem”, não. A marcha propõe uma mudança na lei, propõe um debate. Aliás, há muito o que se discutir sobre esse assunto, muito mesmo. Daria um belo debate na UFT, não é mesmo?

Falando em universidade, outro caso assustador foi de um estudante que passou um filme distribuído pela revista Superinteressante na UFMG. Ele foi preso por isso, você acredita? O filme se chama “Grass”, é um filme canadense que conta a história da proibição da maconha, nada de apologia. Consegui baixar pela internet, assisti e recomendo, muito bom. Se você quiser eu te passo por pendrive.
Veja o vídeo do estudante preso: http://br.youtube.com/watch?v=1QUMMRF_klo

E sobre a posse…

Bruna, quando li no seu e-mail “Não se pode ir contra o Governo!” eu lembrei da sensação de impotência que senti naquele dia. Pense comigo, ninguém estaria num dia 1º de janeiro pela manhã numa posse chata se não fosse pra puxar o saco do governador. Eu estava sozinho, totalmente sozinho. Tive medo de ser preso, ou de ser seguido e levar uma surra. Senti a mão de ferro do poder público. Não é brincadeira não. Mas valeu a experiência, pois aprendi bastante sobre a conduta do governo como um todo. Me conformar eu não vou nunca!

Claro que pode publicar no seu blog. Eu queria que mais gente ficasse sabendo, que mais gente acordasse pra realidade que está aí na nossa frente.

Você sabe que eu também sou muito tímido, mas naquele momento a indignação falou mais alto. Tive medo, mas sou um ser humano, sou mortal.

Abraço!
Rayllei

Então, finalizei de forma bem simples….


Eu quero ver o filme, viu?
Marcamos depois para eu pegar o filme e colocar no meu pen drive, ok?

e termino com a música:

“INDIGNA, INDIGNA… INDIGNA-NAÇÃO”

Bruna Célia.

O que dizer depois disso???????????
Será que alguém vai se indignar, gritar e lutar por soluções?
Espero que a veia do debate tenha sido aberta.
GRITEM!!!!!!!!!!!!
Não deixe que fechem sua boca!
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falta…

Maio 3, 2008

É estranho sentir isso. Na verdade o que sinto é a total falta de sentimento. Sentimento pelas letras, palavras, poesias e prosas. Engraçado, diferente e às vezes me irrita. Sempre escrevi, sempre reclamei e sempre publiquei todas minhas frases construídas depois de muita vontade de escrever.

Sempre preferi escrever no computador… é tão mais rápido e eficiente. Digito um pensamento inteiro. Não gosto, apago. Gosto, continuo. Mas ultimamente nem vontade de digitar no computador tenho sentido. Estranho. Toda a vontade, inspiração, me fugiu das mãos e da mente.

Um dia desses eu li uma entrevista com a Lygia Fagundes Telles e tudo que ela diz eu gosto. Mulher de fibra, inteligente e misteriosa. Em uma das frases que li, dizia que ela se inspirou numa antiga casa para compor o livro, que agora virará novela, Ciranda de Pedra. Na mesma hora me inspirei. Lembrei de uma casa que vi, junto com meu amor, em Ribeirão Preto – SP.

Pensei, pensei… “Vou escrever um texto sobre aquela casa que tanto me impressionou”. Não escrevi. Não anotei, não sentei para me enveredar por aqueles caminhos que outrora me interessaram tanto.

Tantas vezes imaginei histórias, tantas vezes sonhei com contos, crônicas e livros. Diversos momentos me imaginei perto de Gabriel García Márquez, meu máximo escritor.

Por que imagino, sonho e nunca concretizo?

Engraçado isso….

Agora estou escutando Chico Buarque.

Pensei num texto que li e que contava “o dia em que me fudi no show dos Los Hermanos”. Vale a pena ser lido, apesar de ser extenso, sem necessidade. No entanto, o autor, que incrivelmente se descobre ao fim, tem 65 anos. Ele discorre sobre um garoto brasileiro que veio do exterior e nunca havia falado da banda carioca. Divertido, mas conduz à reflexão sobre os pseudo-cults.

Acabei lembrando de ontem…

PMW Rock Festival… evento que quase não fui, mas acabei indo.
Chamei meu namorado de pseudo-intelectual, pseudo-cult. Foi muito engraçado ver a carinha de revoltado e ao mesmo tempo nem aí…

Algumas bandas me surpreenderam… outras me irritaram… a demora para ver a tão esperada Móveis Coloniais de Acaju me deixou nervosa.

Sono, cansaço, música ruim. Nossa… para completar uma big náusea.

Tarde, muito tarde entram no palco, 10 animadíssimos caras….

Metais, cordas e um excelente vocal.

Amei. Valeu a pena esperar. Pena eu estar mal-humorada… com náuseas…. quase vomitando.

Desculpa, amor…

Poxa… qual o problema em tentar descobrir o perfil dos integrantes da banda????????

E minha inspiração para meus textos? Por que impedes?

No fim… te amo.

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Não

Abril 5, 2008

O que dizer do não já dito

proferido

inserido?

Esperar, renovar, aguentar.

Sim, eu quero.

Sim!

Mas se o não agora impera,

se o não agora espera,

o melhor é sentar e aguentar.

Olhar, sentir, pedir.

sim.

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passei no vestibular…

Fevereiro 11, 2008

Parque Vaca Brava- Goiânia - GO

Milhares de pessoas reunidas num só local por um só motivo. Não é religioso, não é Copa do Mundo, não é virada do ano. É consequência do dia 31 de janeiro que chegou arrastado para 9.677 vestibulandos da Universidade Federal de Goiás. Foram mais de 50 dias esperando o resultado que só contemplou 3.963 estudantes.

Meu irmão conseguiu ser aprovado e como comemoração suas amigas resolveram levá-lo ao Parque Vaca Brava, localizado na região sudoeste de Goiânia. Eu não estava afim de ir, pois já sabia a quantidade de pessoas que estariam lá, mas por ser irmã de um aprovado e ainda por cima ser uma “quase-jornalista”, peguei minha câmera digital e fui com eles.

Antes de sair de casa cortamos um pouco do cabelo do mais novo calouro de Educação Física e meu futuro personal trainner. Fizemos com que ele vestisse roupas femininas e escrevemos com batom “UFG” em sua testa. Depois de todo o figurino “drag queen”, ainda colocamos a parte de baixo do biquíni da minha mãe. Ficou muito lindo!

Entramos no carro. Quatro mulheres e o “aprovado”, que agora passa a ser chamado de “Bicho (bicho de quê?, “do mato!”)”. O percurso da minha casa até o parque, que fica em frente ao Goiânia Shopping, na avenida T-10, foi muito divertido pois o clima de aprovação no vestibular da UFG começou a afetar todos os goianienses, inclusive os que se sentiam solidários e não reclamavam das buzinadas intermináveis vindas do carro onde estávamos. “Parabéns! Parabéns!”, diziam senhoras, homens e adolescentes.

Distantes uma quadra do parque, já se podia ver a enorme movimentação que reinava no lugar. Meu irmão passou de “o aprovado” para “mais um aprovado”, e o que já era engraçado, ficou várias vezes mais divertido. Ovos, farinha, cordas, tinta, muita gente feliz e bêbada. Isso mesmo: bêbada.

Passar no vestibular passou a ser sinônimo de “embriagar-se” (ou ser embriagado, sabe-se lá). Mas não deixei me abalar pelas pingas, vodcas e vinhos e continuei a fotografar cada movimento.

O primeiro passo num trote bacana é fazer com que o “bicho” (eles escrevem ‘bixu’) peça dinheiro para todas as pessoas que estiverem nos carros que pararem no sinal vermelho. Vi gente caridosa dando um, dois e até cinco reais para meu irmão “personal trainner”. Cada pessoa que colaborava saía numa foto tirada por mim. A brincadeira durou cerca de uma hora.

Depois de ver que ninguém mais aguentava “doar” dinheiro para os “bixus”, resolvemos ir para o meio da muvuca. (olhe a foto acima e tente imaginar a quantidade de gente).

Gritos, sujeira pelo chão, choros e bebidas, e muitos, mas muitos bêbados (e aprovados).

Um carro de som passava e como música de fundo a famosa “créeeeuu, créeeeeu”. Muita gente dançando, se divertindo. Umas só olhando, outras só fotografando.

Meu irmão pediu para que fôssemos embora pois a coisa estava ficando meio feia por ali. Na maioria das vezes lugar onde têm muita gente bêbada costuma ter brigas. Então entramos no carro e descemos pela avenida T-10 que corta o Parque Vaca Brava e o Goiânia Shopping.

Novamente vimos calouros pedindo dinheiro e dessa vez tivemos que dizer “não, olha lá atrás, tem um calouro também!”, aí passávamos sem dar nem um tostão sequer.
De repente um aprovado em medicina (foto), o curso mais concorrido da UFG, pediu dinheiro. Dissemos que não, que ali tinha um calouro também, mas o bicho foi insistente. Disse que tinha passado para medicina, que tinha que ganhar dinheiro. Muito bêbado, não pensou duas vezes e abriu a porta do carro onde eu estava. Lorena, a motorista, falou com ar de autoridade e ordenou que a porta fosse fechada. Em seguida, foi a vez da minha porta ser aberta. Conseguimos sair ilesas da situação, mas não vou esquecer do medo que tive de ser atacada por um calouro mal educado do curso de medicina.

Saí do parque com a sensação de que ser aprovado no vestibular e se embriagar são coisas incompatíveis se feitas sem responsabilidade. Sem querer ser piegas, mas já sendo, senti medo e pena daquele garoto. Estudou noites a fio para passar no vestibular mais concorrido do Estado de Goiás, e nem sabe brincar com juízo. Será que conseguiu sobreviver?

O trote tem que ser bem feito para ficar para sempre na memória. Os momentos que presenciei justificaram minha ida, pois ao escrever esse texto posso comprovar que a sensação de estar ali no meio de tanta gente feliz é inexplicável. Porém, o medo que senti daqueles jovens tão bêbados, chegou perto do medo que sinto de bandidos que têm revólver. Ambos não têm pudor ou sequer pensam antes de fazer o que fazem. Isso também não sai da memória… “Vambora beber para esquecer!”, diriam uns.

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Excessos

Dezembro 7, 2007

Acordei com uma moderada vontade de escrever. Levantei, senti falta do cheiro de terra molhada que não sinto há tantos dias. Bebi um copo d’água e me sentei em frente ao computador.

Olhei meu e-mail, achei interessante ter recebido a resposta para uma submissão de artigo e comecei a ler o e-mail “cheio” de promoções das Americanas. Abri o wordpress e digitei minha senha.

Na página principal tive uma surpresa. “Posts today: 40.000″. Fiquei pensando nesse número e a vontade de escrever passou. Quantidade tão enorme que me faz imaginar quantas pessoas lerão meus posts. Uma ou duas? Meu namorado e talvez uma amiga. E olha que tenho tanta coisa boa para escrever, contar, explicar.

Abri o site do Uol para ver o que anda acontecendo de importante. Não que isso seja fundamental para começar o dia, mas fazer jornalismo implica em estar antenado em tudo. Apesar de não ser essemeu estilo, já que gosto de ler sobre coisas de meu interesse, faço um esforço e capricho nas buscas por informações “úteis”. Não achei… resolvi escrever aqui… e vi que não passou de apenas algumas linhas entre tantas outras…

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Curta um laço

Dezembro 6, 2007

Uma rosa vermelha, uma menina com vestido preto e tênis all star, um garoto com camisa listrada e cabelo estilo emo (para os mais jovens… ou estilo Austin Powers, para quem se lembrar quem foi esse louco…). Uma idéia. Um curta. Uma produção que custou menos que dois mil reais.

Comecei a assisti-lo por ter visto que o Youtube havia realizado um concurso, o Project Direct, que elegeu como melhor curta, uma produção brasileira. Algumas regras básicas tiveram que ser seguidas no ato da inscrição: “internautas de sete países puderam inscrever filmes de ficção, de até 7 minutos, que respeitassem três regras criadas pelo cineasta Jason Reitman, de “Obrigado por Fumar””, segundo site da Folha (Ilustrada de Cinema).

Dentre milhares que se inscreveram, o curta que tinha a menina de vestido preto e tênis all star, foi o vencedor. E desbancou várias produções estrangeiras.

Sabe aquela sensação de “ai, não tenho tempo para ler nem cinco linhas”? Isso é resultado de uma evolução (ou seria involução?) que torna tudo cada vez mais rápido e fulgás. Eu tento fazer do meu tempo uma coisa diferente e apesar de querer aproveitar cada segundo que passo na frente do computador, na maioria das vezes faço coisas inúteis. Mas de vez em quando me pego tão sem tempo (por estar fazendo coisas úteis) que o simples fato de assistir a um vídeo com mais de um minuto me faz desistir.

Com “Laços”, filme de Flávia Lacerda, não foi diferente. Olhei a duração e achei 6′43″ muita coisa. Contudo, decidi persistir. Foi o único brasileiro numa lista de vinte selecionados…

A trilha do curta é composta por uma música só e que me fez lembrar de Alanis Morissette. Então, como gosto de algumas canções da cantora canadense (apesar dela ter feito feiúra num show em BSB), continuei assistindo (o nome da música do filme é Austrália, na voz de Clarice, protagonista do curta).

Os segundos foram se passando e não gostei muito dos diálogos. Não sei se a culpa é só dos atores, mas não gostei da atuação em si. As falas mostraram um roteiro simples, mas com uma mensagem amplamente metafórica.

Sem mais delongas, assista ao vídeo. Mas volte aqui!

E aí? Gostou do desfecho?

Eu senti um aperto no coração. O roteiro é tranqüilo do início ao fim e não incita muitas surpresas. Porém, chegar ao final e ver a cena da mãe entregando o envelope para a menina do all star, ufa… Fala sério, é de mexer com a imaginação e instigar a ver o curta novamente.

Apesar de ter recebido várias críticas que vão desde a atuação quanto ao lugar-comum ao se parecer com curtas que terminam mostrando fotografias (clichê comentado no site do Youtube), gostei e recomendo.

Assista aos outros premiados no site do concurso: http://www.youtube.com/projectdirectgallery

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Desvios

Dezembro 2, 2007

No dia que fundei esse blog, fiz uma definição do que ele seria bem ao jeito “Bruna” de ser. Alguns dias depois vi que fugiria da linha editorial de vez em quando. Indicar livros, filmes, sites… isso não é errado, não é mesmo? Só quero ter a liberdade que cortaram quando trabalhei num jornal. Liberdade de ser e aplicar no “papel” virtual aquilo que sou…  o maxi mix…

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Eu sou ladrão. Não gosto de trabalhar.

Novembro 30, 2007

Existem coisas veiculadas na Internet que beiram o exagero. O extremo do grotesco chegou em meu e-mail e não pude resistir. Coisas assim me provam que a rapidez com que as mensagens circulam pode até fazer bem. Nem precisei perder tempo com o Google.com. Esse me apareceu como um presente.

Há poucos dias tive acesso ao livro Narrativas televisivas: programas populares na TV, organizado por Vera França. O livro é resultado de uma pesquisa que envolveu diversas pessoas interessadas em analisar o que a mídia tem a oferecer aos telespectadores. Foram analisados programas populares como o extinto Programa do Ratinho, no SBT, Hora da Verdade e Brasil Urgente, na Band e Domingão do Faustão, na globo. Foi tão excelente ao ponto de me ser útil na análise desse caso que vou contar agora.

Jonderval é a figura do vídeo abaixo. Prefiro que você assista primeiro e depois volte aqui ao texto.


Não tenho certeza de qual foi sua reação. Choro, gargalhadas, indignação. Só posso imaginar que algo entrou em sua mente e te fez pensar. Eu pensei, eu ri, me indignei. E logo me veio a importância do livro de Vera França.

A população de baixa renda, que antigamente não se via na TV, a partir dos anos 90 começou a ser atendida e apareceu em programas ditos populares. Em várias cidades do Brasil, já existem programas como o Brasil Urgente, cujo apresentador Luis Datena se auto-intitula “defensor do povo”. Aqui no Tocantins existe o Tocantins Urgente, apresentado pelo repórter Alysson Lima.

Nesses programas são mostradas cenas reais de fatos que acontecem com a população mais carente da cidade. Roubos, furtos, assassinatos, seqüestros, estupros, às vezes com cenas chocantes. É o repórter a serviço do povo, fazendo papel da justiça, sendo o agente fiscalizador.

Jonderval, o ladrão entrevistado no vídeo acima, é a representação do brasileiro que não deu certo na vida. Pobre, desempregado e cansado de trabalhar. Acredita que existe um sistema que permite os ladrões a trabalhar.

“Se eu não roubar vocês estão tudo desempregado (…) Vai faltar emprego pro reporte, pro escrivão, pra delegada, pro juiz, pro promotor … Tudo através de mim que sou ladrão (…) eu estou contribuindo para o bem de todos, não é?” , justifica.

Não consegui descobrir o nome do programa que o entrevistou, mas não foge da linha editorial dos programas populares que fazem muito sucesso. O que sei é que o tal programa é de Ji-Paraná, a segunda maior cidade de Rondônia. O que garante a audiência que os mantêm no ar.

A discussão vai além do que eu já disse. Por que fatos grotescos como esse de Jonderval vão para o ar? Por que têm audiência? Por que é a realidade da população que assiste?

Contudo, para não escrever muito, fico por aqui, assistindo ao Jonderval falar, tentando não rir e não me indignar.

“Eu não quero trabalhar, não. Já tenho trinta anos. (…) Deus limpa as minhas bagunça tudo”, conclui nosso Jonderval.

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Jornalismo + Literatura = VIDA REAL

Novembro 28, 2007

Não sei o motivo que te trouxe aqui, mas desde já quero afirmar que nada será linear nem exigirá entendimento. Não que eu seja louca, pirada ou algo assim. É que sou uma quase-jornalista (poderia falar jornalista, já que tem tanta gente que se diz um e nunca estudou para isso…), o que indica loucura extrema… Cataclismas exteriores e pirações maluquianas.

Anote (ou copie e cole): este site conterá textos que narrarão a vida real. A vida do homem. Da tia da padaria, do tio do sorvete. Do garoto que aguarda a mãe na fila do leite. Da menina que espera o ônibus.

Narrativas reais, com pessoas e casos reais. O jornalismo é isso: REALIDADE.

E bem contada.